sábado, 23 de agosto de 2014

Amor sem limites

Everson é um cara tímido, mas muito observador. A empresa em que ele trabalha é repleta de garotas bonitas. Porém, ele se interessou realmente por Gabrielli, que conheceu no elevador.
Várias meninas o acham simpático e se interessaram muito mais pelo seu perfil intelectual do que pela beleza, que realmente lhe falta.
Ele não tem coragem para abordar seu amor platônico, então fica olhando a distância.
Todos os dias, na hora do almoço, ele procura sentar-se a mesma mesa ou muito próximo para poder ficar perto e escutar a voz de Gabrielli. Quando ela não aparece, Everson fica desolado e se isola em um canto afastado no pátio da empresa.
Ele foi chamado a atenção várias vezes por seus colegas e seu chefe por deixar a desejar no trabalho, pois ele fica aéreo em pleno expediente quando fica sonhando com a mulher que deseja.
O que mais o atrai em Gabrielli é o seu jeito diferente de ser. Para ele, nenhuma mulher é como ela.
Como o horário da empresa é padrão ele aguarda na fila do elevador, passando a vez, até que ela chegue para que ele possa entrar junto e admirá-la. Algumas vezes, por ser gentil ao segurar a porta, ele ganha sorrisos.
Em casa, ele se confina no quarto, desliga o telefone e fica admirando o retrato de Gabrielli que furtivamente fotografou, viajando nas fantasias sexuais como se fosse um adolescente se descobrindo. Não adianta bater na porta porque os fones de ouvidos do seu MP4 reproduzindo músicas francesas isolam qualquer interferência nos seus sonhos. Todo este ritual é uma rotina diária.
Everson nem se alimenta direito. Ele, com o prato cheio a frente, fica mexendo na comida com o grafo e olhando em direção daquela mulher que tanto ama. Nas refeições caseiras, ele faz a mesma coisa só que imaginando Gabrielli a sua frente. A única coisa que ingere é a Coca-Cola cuja latinha só larga para pegar outra.
A situação de Everson fica tão complicada que seus amigos resolvem agir. Eles apresentam várias meninas para ele, uma mais linda que a outra, mas Everson é fiel aos seus sentimentos. Por isso, nenhum dos relacionamentos arrumados dá certo. Então, o amigo mais fiel, mesmo contra vontade, resolveu ajudá-lo a encontrar a felicidade.
Seus ditos amigos não queiram que ele se relacionasse com Gabrielli por causa de seu jeito nada convencional, mas Pierre prefere ver o amigo feliz e sadio do que ficar atolado em um preconceito antigo e fora da razão.
Pierre conversa com Gabrielli e explica a situação. Ela se emociona em ainda existir alguém tão sensível e romântico e fica ansiosa para conhecer Everson mais intimamente.
Em uma combinação secreta, Pierre e Gabrielli armam um falso encontro entre os dois amigos.
No bar, enquanto Everson fica aguardando Pierre, que sabemos que não virá, Gabrielli aparece e diz que levou um bolo e que se lembra de Everson, mais propriamente do elevador da empresa, e pergunta se pode sentar. Gaguejando, mas felicíssimo, Everson permite e consegue então conversar com a sua musa.
Eles tomam alguns drinques, dão risadas e Gabrielli percebendo a timidez dele toma a iniciativa e o beija. Everson fica alucinado e quer mais.
Após este momento, ele se transforma em outra pessoa. Sua timidez vai embora e dá lugar a um homem que passa a tomar todas as iniciativas. Agora é a vez de Gabrielli ficar alucinada.
Ambos nunca tiveram uma experiência como esta. É tudo diferente de tudo que já tinham passado ou realizado. Eles se sentem amados, desejados e estão muito felizes. Parece que foram feitos um para outro.
São horas de beijos, abraços e outras carícias.
Quando a coisa está ficando quente eles resolvem ir para um lugar mais aconchegante, pois para seus propósitos, este bar já está pequeno demais e sem privacidade alguma. Como eles não têm carro, embarcam em um táxi e pedem para irem a região de motéis.
A libido deles está tão forte que o taxista resolve ir para o motel mais próximo e pede para que eles desçam.
O casal apaixonado nem liga para o fato. O que realmente querem é um lugar só deles.
Quando chegam ao quarto, Gabrielli começa a despi-lo e dizer que ele é a melhor coisa que aconteceu em sua vida, então é a vez dele. Só que ao despi-la, Everson repara que Gabrielli não é uma mulher comum. Na verdade, ela é uma mulher em corpo de homem. Ele fica desesperado com vontade de bater nela, quebrar tudo, gritar, fazer escândalo, mas mais forte do que a raiva é a fidelidade ao seu sentimento.
Ao se lembrar dos sorrisos do elevador, das horas de almoço, de quando sonhava acordado aliviando a tensão no refúgio pessoal do seu quarto, ele canaliza toda violência sentida para o seu desejo reprimido de tanto tempo que aumentou exageradamente nas últimas horas. Então, ele a toma em seus braços, a coloca na cama e dá a eles uma noite de amor que jamais sentiram em suas vidas. 

Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança fica a critério da sua imaginação.

4 comentários:

  1. Interessante, muito bacana o texto.

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  2. Olá Claudio, ultimamente acho que não é nada difícil que esse tipo de coisa aconteça. Só me admirou ele ter topado continuar mesmo sabendo da real situação.
    Beijos com carinho
    Marilene

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  3. Espetacular.
    Que fim sensacional.
    Eu estava esperando um clichê, nada contra, mas mais comum.
    Porém fui surpreendida.

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