segunda-feira, 26 de outubro de 2015

TALHADOS NO TEMPO


Das mãos, cheias de calos,
floresce a história do seu trabalho.
Escorre-lhe o suor sagrado
dos dias talhados no tempo.

No rosto, cheio de marcas,
sinais das batalhas de outrora.
Não como estas de agora
que a compreensão ignora,
mas como já fizera antes
nos tempos de tantas amantes.

Da voz, já quase inaudível,
ouve-se palavras amigas,
embora um tanto sofridas
pelas quedas da vida.

No peito, cheio de compaixão,
um coração ressoa vacilante.
Não como ressoava antes,
nos tempos de tantas amantes,
mas como ressoa agora
o coração vacilante.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

ESVAZIAR-SE


Na contra-mão das palavras
ouvidas no tempo,
do vento das letras
em páginas - amareladas -
da vida, percebo 
enfim
o que é a Morte

E me apaixono inteiramente

pelo seu ato de desapego,
de livrar-se 
de qualquer 
dor
de qualquer 
desamor,
de qualquer
amargor

Lançar-se plenamente

no vazio 
do in-sentimento
e esvaziar-se
da água - suja -
da vida.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

ICARUS



Eis que de tanto sonhar
em voar, tornei-me pó-
             eta
Criei asas
nada-
de-
iras
Entrei para a classe seleta
das chocadeiras
dos ovos
de ouro

E nos des-
dobra-
mentos
— da escrita —
Choquei tesouros!

Como Ícaro,
alço voo 
com asas de cera

Como ver(-)me
as asas derretem
ao tocar na fogueira.

sábado, 26 de setembro de 2015

Aventuras em Salvador

A maioria das pessoas fala que viajar a trabalho é ruim. Quando estas viagens se tornam uma rotina é ruim mesmo. 
Em 2008, eu já estava cansando de tanto viajar, mas fui abençoado.  Minha viagem a trabalho foi para Salvador.  Os Baianos dizem que Deus mora lá. É difícil falar algo a respeito porque o Nordeste todo é lindo, mas com certeza se Deus quiser morar no Brasil, Salvador está no páreo.
Eu nunca pensei que minha viagem apesar de ser para um lugar fascinante daria uma postagem no blogue. Entretanto, conversando com um ou outro sobre as façanhas que fiz na capital baiana, percebi que anos depois daria um texto.
Então, vamos lá.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Quem não sofreu preconceito II

Continuando a saga do preconceito...

Já adulto, estava eu parado no semáforo, para nós gaúchos sinaleira, do entroncamento da Av. Mostardeiro com a Av. Göethe, em Porto Alegre. Do meu Monza Classic 2.0 SLE top de linha da montadora, avistei uma mocinha distribuindo folder de apartamentos. Quando ela veio em minha direção, passou direto e não me deu o panfleto. Bom, esqueci de dizer que meu possante era top de linha em 1990 estávamos em 2002, e ainda que, os folders eram de apartamentos de luxo. Portanto, ela só entregava para carrões e alguns nem abriram a janela para receber. Bem feito para ela. O que a mocinha não devia saber é que muitos que têm carrões ficam a vida toda pagando a prestação no sacrifício e eu não tinha conta alguma, mas tudo bem, eu sei que era orientação da construtora.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O SOLDADO



Uma neblina láctea e densa cobria as ruas do vilarejo
Na rua, ainda escura, dormiam bêbados e cachorros
Ninguém mais nas calçadas, nem nos morros
Só o silêncio noturno o acompanhava, e o desejo

A roupa ainda úmida da noite fria e chuvosa
Grudava na pele quente, áspera e febril
No peito, o aperto do dever civil
Do descumprir da lei asquerosa

Fora chamado para o alistamento
Naquele amanhecer, naquele momento
Não haveria como recusar

Poderia fugir para um lugar distante
Mas não teria paz um sequer instante
Teve, forçosamente, que se alistar.

sábado, 29 de agosto de 2015

Quem não sofreu preconceito I

Uma vez eu me deparei com um assunto que falava sobre todo mundo já ter sofrido algum tipo de preconceito.
De minha parte, obviamente que eu concordei, pois eu tenho ciência que já sofri alguns. E exatamente quando estava escrevendo sobre isto no comentário, eu me dei conta que poderia fazer um texto sobre os preconceitos por mim sofridos.
Claro que não quero fazer deste artigo um muro de lamentações, e sim mostrar que o preconceito existe em todas as classes da sociedade.