sábado, 26 de setembro de 2015

Aventuras em Salvador

A maioria das pessoas fala que viajar a trabalho é ruim. Quando estas viagens se tornam uma rotina é ruim mesmo. 
Em 2008, eu já estava cansando de tanto viajar, mas fui abençoado.  Minha viagem a trabalho foi para Salvador.  Os Baianos dizem que Deus mora lá. É difícil falar algo a respeito porque o Nordeste todo é lindo, mas com certeza se Deus quiser morar no Brasil, Salvador está no páreo.
Eu nunca pensei que minha viagem apesar de ser para um lugar fascinante daria uma postagem no blogue. Entretanto, conversando com um ou outro sobre as façanhas que fiz na capital baiana, percebi que anos depois daria um texto.
Então, vamos lá.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Quem não sofreu preconceito II

Continuando a saga do preconceito...

Já adulto, estava eu parado no semáforo, para nós gaúchos sinaleira, do entroncamento da Av. Mostardeiro com a Av. Göethe, em Porto Alegre. Do meu Monza Classic 2.0 SLE top de linha da montadora, avistei uma mocinha distribuindo folder de apartamentos. Quando ela veio em minha direção, passou direto e não me deu o panfleto. Bom, esqueci de dizer que meu possante era top de linha em 1990 estávamos em 2002, e ainda que, os folders eram de apartamentos de luxo. Portanto, ela só entregava para carrões e alguns nem abriram a janela para receber. Bem feito para ela. O que a mocinha não devia saber é que muitos que têm carrões ficam a vida toda pagando a prestação no sacrifício e eu não tinha conta alguma, mas tudo bem, eu sei que era orientação da construtora.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O SOLDADO



Uma neblina láctea e densa cobria as ruas do vilarejo
Na rua, ainda escura, dormiam bêbados e cachorros
Ninguém mais nas calçadas, nem nos morros
Só o silêncio noturno o acompanhava, e o desejo

A roupa ainda úmida da noite fria e chuvosa
Grudava na pele quente, áspera e febril
No peito, o aperto do dever civil
Do descumprir da lei asquerosa

Fora chamado para o alistamento
Naquele amanhecer, naquele momento
Não haveria como recusar

Poderia fugir para um lugar distante
Mas não teria paz um sequer instante
Teve, forçosamente, que se alistar.

sábado, 29 de agosto de 2015

Quem não sofreu preconceito I

Uma vez eu me deparei com um assunto que falava sobre todo mundo já ter sofrido algum tipo de preconceito.
De minha parte, obviamente que eu concordei, pois eu tenho ciência que já sofri alguns. E exatamente quando estava escrevendo sobre isto no comentário, eu me dei conta que poderia fazer um texto sobre os preconceitos por mim sofridos.
Claro que não quero fazer deste artigo um muro de lamentações, e sim mostrar que o preconceito existe em todas as classes da sociedade.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Viver é Fácil Com os Olhos Fechados - Vivir es Fácil Con los Ojos Cerrados - 2013 - Espanha

Inspirado em uma história real, "Viver é Fácil Com os Olhos Fechados" dirigido por David Trueba é daqueles filmes deliciosos que retratam sentimentos nobres do ser humano, a gentileza permeia toda a produção que traz um grande nome do cinema espanhol, Javier Cámara (O Que os Homens Falam - 2012).
Em plena década de 60, Antonio (Javier Cámara), um modesto professor de inglês, é fã incondicional dos Beatles e sonha em conhecer seu ídolo, John Lennon. Para encontrar o seu herói, o professor irá viajar até Almeria e no meio do caminho irá esbarrar com dois jovens: Belén (Natalia de Molina), uma moça de vinte anos e Juanjo (Francesc Colomer), um garoto de dezesseis que está fugindo de seu pai autoritário. O encontro destas três pessoas fará a vida de cada uma tomar rumos imprevisíveis. O título do filme é uma frase da letra de "Strawberry Fields Forever", composta por John Lennon em sua passagem por terras hispânicas em 1966, onde gravou o filme "How I Won the War", de Richard Lester.
O filme é um road movie que retrata o amor pelo seu ídolo e toda a ternura que pode haver numa pessoa. Antonio tem um coração que não cabe no peito. No início o vemos ensinando inglês às crianças com a canção "Help" e logo se enveredando pela estrada rumo ao seu sonho, conhecer John Lennon e convencê-lo a colocar as letras das músicas no encarte de seus álbuns. No caminho ele encontra Belén, uma moça grávida e sem apoio, e também dá carona para Juanjo, um garoto que por causa dos desentendimentos com o pai, principalmente por ele invocar com seu cabelo, foge em busca de algo. Nessa viagem conhecemos um pouco mais dos personagens e acabamos por nos apaixonar, são situações cativantes e de rico valor.

Antonio é uma pessoa que adora falar e contar histórias, ele brinca com os dois jovens que estão numa fase nada favorável. Com o desenrolar Belén se afeiçoa a Juanjo, que descobre a sua primeira paixão. O cenário e as cores vibrantes, juntamente com a trilha sonora faz deste um filme imperdível, é para se encantar com diálogos e momentos únicos, captando o que cada personagem tem para dar e sorrir diante a atitudes que nos fazem ser melhores uns com os outros.
A recriação da época é impecável e explora bem a beatlemania, principalmente em relação a John Lennon. Para os fãs da banda é um deleite e até para aqueles que não dão tanta importância é uma delícia de filme.

O humor sereno está presente em toda a narrativa, e por mais que algumas situações sejam ridículas, afinal idolatrar alguém é algo idiota a se fazer, o filme pende mais para um lado ingênuo e desperta sentimentos prazerosos, como a vontade de pegar a estrada sem rumo e contemplar a paisagem ouvindo uma boa música.
"Viver é Fácil Com os Olhos Fechados" tem uma história agradável e você nem sente o tempo passar. É uma linda surpresa coroada pela atuação singela de Javier Cámara. É uma viagem sonhadora que faz florescer a alegria.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A CRIATURA


Vi-a pelos becos escuros da madrugada
Vagando por toda a cidade dardejante
Sob a luz pálida de uma lua minguante
Não era homem, não era bicho, não era nada!

Foi numa noite erma e gelada
Debruçado no batente da janela
Sem saber, fiquei ali, à espera
Vi a coisa se arrastando na calçada

Na esquina, armavam-lhe uma emboscada
Era a noite marcada para sua captura
Com lanças, redes e armaduras
Dez homens não valeram de nada

A coisa arrancou-lhes os corações com uma guinada
Caíram todos ao chão com peito aberto
Para onde foi tal criatura, não sei ao certo
A rua tornou-se rubra: ensanguentada

De resto, não sei mais nada
Não me aproximo mais daquela janela
Mas bem sei que homem não era
Quiçá uma alma penada!

E quando deito nestas noites enluaradas
Ouço ainda os corações a palpitar
Na rua, uma brisa gélida toma conta do ar
Anunciando sua presença indesejada.

© Girotto Brito

sábado, 22 de agosto de 2015

O meu vestido rodado

Era uma vez uma menina pobre. Sua família de origem humilde só tinha dinheiro para as necessidades básicas. Seu nome era Inga. Ela era muito aplicada no colégio, uma aluna exemplar. Todos os professores eram apaixonados por ela. Mesmo tendo apenas 9 anos ela sofria bullying de seus coleguinhas porque usava roupas muito simples.
Apesar de tudo, ela era muito feliz e adorava dançar.  Bastava ouvir uma música de qualquer gênero, ela dançava. Ela gostava tanto que fazia parte do grupo de dança do colégio.
Um dia a sua felicidade acabou. A escola decidiu participar de um concurso de danças para colegiais, mas os pais dela não tinham dinheiro para comprar o vestido. Ela não poderia participar. Então ela chorou, chorou e chorou e passou a ser a menina mais triste da escola.