segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A CRIATURA


Vi-a pelos becos escuros da madrugada
Vagando por toda a cidade dardejante
Sob a luz pálida de uma lua minguante
Não era homem, não era bicho, não era nada!

Foi numa noite erma e gelada
Debruçado no batente da janela
Sem saber, fiquei ali, à espera
Vi a coisa se arrastando na calçada

Na esquina, armavam-lhe uma emboscada
Era a noite marcada para sua captura
Com lanças, redes e armaduras
Dez homens não valeram de nada

A coisa arrancou-lhes os corações com uma guinada
Caíram todos ao chão com peito aberto
Para onde foi tal criatura, não sei ao certo
A rua tornou-se rubra: ensanguentada

De resto, não sei mais nada
Não me aproximo mais daquela janela
Mas bem sei que homem não era
Quiçá uma alma penada!

E quando deito nestas noites enluaradas
Ouço ainda os corações a palpitar
Na rua, uma brisa gélida toma conta do ar
Anunciando sua presença indesejada.

© Girotto Brito

3 comentários:

  1. Olá Dênis, vi seu blog na página da Mirtes e vim conhecer. O poema é de arrepiar, porém poeticamente grandioso, uma inspiração arrasadora.

    Gostei do que li!
    Estou seguindo seu blog.

    Abçsda Diná

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  2. Oi Dênis, vi o anúncio do seu blog lá no face e vim correndo conhecer.
    Você escreveu um poema/conto. Em versos contundentes contou-nos uma hitória, que fico a pensar:
    -" Seria uma criatura alienígena ou um ser moldado pelas maldades e abandono?"

    Muito bom, parabéns!
    abraços

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