sábado, 22 de agosto de 2015

O meu vestido rodado

Era uma vez uma menina pobre. Sua família de origem humilde só tinha dinheiro para as necessidades básicas. Seu nome era Inga. Ela era muito aplicada no colégio, uma aluna exemplar. Todos os professores eram apaixonados por ela. Mesmo tendo apenas 9 anos ela sofria bullying de seus coleguinhas porque usava roupas muito simples.
Apesar de tudo, ela era muito feliz e adorava dançar.  Bastava ouvir uma música de qualquer gênero, ela dançava. Ela gostava tanto que fazia parte do grupo de dança do colégio.
Um dia a sua felicidade acabou. A escola decidiu participar de um concurso de danças para colegiais, mas os pais dela não tinham dinheiro para comprar o vestido. Ela não poderia participar. Então ela chorou, chorou e chorou e passou a ser a menina mais triste da escola.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Super Indico: Programa Maquina da Fama (SBT)

Alô! Alô! Estou de volta com o Super mais super mesmo a minha sessão de Musicas...

Hoje vamos falar do programa que está fazendo surpreender o Brasil todo. E o SBT do Tio Silvio o programa se chama Maquina da Fama que transforma convidados ou pessoas comuns se vestir e se caracterizar de algum famoso da musica Nacional ou Internacional e tem que saber cantar. O Programa e com uma das Filhas de Silvio a Patricia Abravanel.


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

MANHÃS DA INFÂNCIA



Alvoreceu — lá, no alto do morro
As gotas do orvalho vestem as campinas
No céu, inertes nuvens cinzas
A sombrear a estradinha que percorro

Aqueço as mãos com um sopro longo e quente
Cubro as orelhas com um velho gorro
Não posso atrasar, apresso o passo e corro
Um dia qualquer para uma alma penitente

Do alto da ponte um rio transbordante
Água corrente, límpida, cintilante
Natureza morta que vida transborda

Alvoreceu — numa manhã qualquer de inverno
Nos campos de minha infância, eterno
Habitante da memória de um ser do agora.

© Girotto Brito

sexta-feira, 31 de julho de 2015

O velho, a linda e o jovem

Um homem de meia idade entra no bar dançante do hotel acompanhado de uma bela moça cuja idade é aproximadamente 25 anos.  Ele, muito elegante, veste um terno fino de grife famosa que o deixa mais alinhado. Ela, especialmente linda, está usando um vestido com um alinhamento perfeito de alta costura, modelo exclusivo. 
Eles aguardam o metre chegar e indicar um lugar perto da pista, e de mãos dadas caminham até a mesa onde se acomodam e começam a conversar. 
Com sua mão sobre a dela eles passam o tempo, falam coisas engraçadas e riem muito. É explícita a admiração que ela sente por aquele homem.
Pouco mais adiante, um jovem de idade compatível com a da bela moça, não consegue tirar os olhos dela. Ela percebe e sorri. Tenta ser discreta, mas demonstra o interesse.
O tempo vai passando e os flertes aumentam.
Lucas fica um tanto sem graça de flertar com uma mulher acompanhada, mas não consegue disfarçar o fascínio que sente por ela.
Ela comenta algo para seu acompanhante que olha para trás e sorri.
Sem entender nada, Lucas tenta desviar o olhar, mas a curiosidade dele é maior.
Após algum tempo, Alexandra levanta-se e começa a dançar sozinha e Lucas fica cada vez mais encantado com a sensualidade da moça. Ao parar de dançar, ela se aproxima do seu acompanhante, fala em seu ouvido e vai até o toalete.
Então, o senhor chama o jovem para a mesa. Lucas meio assustado, mas querendo saber o que passa, vai.
– Olá tudo bem? Meu nome é Rodolfo e o teu?
– Lucas.
– Estás nervoso, Lucas?
– Não! Apenas apreensivo. Não é uma coisa muito habitual.
– O que? Um homem mais velho vir a um bar dançante com uma jovem linda?
– Sim. Quer dizer não é isto. É que ela... bom... como vou dizer?
– Ela está te paquerando?
– Isto! O senhor não sente ciúmes?
– Acho que já passou da fase de eu ter ciúmes da Alexandra.
– Alexandra! Que lindo nome.
– Não é só o nome, não é mesmo?
– Sim! Desculpa. Olha, não quero ser inoportuno.
– Não estás sendo. Eu sou um velho moderno. Por isto estou aqui. E por isto ela não se importa de me acompanhar.
– O senhor acha tudo isto normal?
– Não vejo porque não.
– Nossa! Nem eu, que sou mais jovem, estou entendendo.
Rodolfo ri e diz:
– Percebo que não estás entendendo nada mesmo, mas já vais entender.
– Será?
– Vais sim, assim que ela voltar – risos.
Quando Alexandra retorna, Rodolfo a beija no rosto e diz:
– Bom! Sou moderno, mas não tenho a juventude de vocês para ficar acordado até muito tarde. Vou subir.
– O senhor vai me deixar sozinho com ela?
Enquanto Alexandra ri, Rodolfo responde:
– E por que não? Eu já sei que tu és um bom rapaz.
– Sim, mas e vocês?
– Jovem! Deixa eu te explicar uma coisa. Todo pai quer que sua filha seja feliz, portanto divirtam-se, mas com moderação.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Maioria Oprimida - Majorité Opprimée - 2010 - França (Curta - Metragem)

"Maioria Oprimida" (2010) dirigido por Eleonore Pourriat é um curta-metragem excepcional que retrata a vida de um homem que sofre de sexismo diariamente em um mundo dominado por mulheres. É incrível que o baque em algumas pessoas só aconteça quando há a inversão de papéis, colocando o homem na pele da mulher vivenciando o cotidiano, coisas que são vistas como normais, as tais 'cantadas' seguidas daqueles ruídos odiosos, ou mesmo aquela virada de cabeça. Infelizmente faz parte do dia a dia da mulher, e tudo isso acontece porque essas ações são aceitas e passadas ao longo do tempo.
No curta observamos o contrário, as mulheres é que dominam a sociedade, o protagonista desde o momento que sai de sua casa começa a sofrer com assédio, seja por causa da roupa, por estar sozinho e etc. São olhares invasivos, palavrões, e por fim o estupro. Ao recorrer à delegacia a delegada desfaz do caso e ainda justifica a violência pela roupa que ele estava usando, e sua esposa ao invés de ajudá-lo fica impaciente e não dá o devido valor ao fato. Acontece muito isso, a mulher ser violentada e ainda a culpa cair sobre ela. A inversão de papéis foi uma maneira simples, mas genial para despertar a atenção à opressão que a mulher sofre todos os dias, a ideia é clara e objetiva e atinge perfeitamente a questão, a sociedade machista em que vivemos.
Sem dúvidas o machismo está incrustado na nossa sociedade, seja em homens ou mulheres, muitas situações retratadas necessitam ser repensadas, não é normal, não é gostoso receber comentários chulos, além de causar constrangimento e medo. Ao assistir "Maioria Oprimida" vemos que há algo errado, a inversão de papéis promove esse olhar, e é preciso que todos percebam que essas atitudes tão cotidianas precisam parar.

Em menos de 11 min o curta satiriza e reflete sobre o quão nocivo é o sexismo, e mostra comportamentos que são repetidos e vistos como normais, algo que só aumenta mais o machismo na cabeça das pessoas. É uma importante questão que cada vez mais precisa ser discutida porque ninguém merece ser desrespeitado, constrangido ou diminuído pelo seu sexo.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Onde verdadeiramente habitamos...




A solidão, o sofrimento, a angústia, a fúria e a loucura muitas vezes constroem um imenso labirinto dentro de nós. Um labirinto de autoconhecimento e ao mesmo tempo de autodestruição. Um emaranhado de redes cognitivas e sentimentais do qual com muita sorte apenas é possível escapar, no entanto, jamais sem marcas.

O poema a seguir trata subjetivamente disso: do mergulho profundo que fazemos em nós mesmos em momentos de isolamento e depressão, do quanto isso pode ser destrutivo e ainda assim construtivo. 


MERGULHO ARDIL
  
I

Morei
Morei noites e dias
Invernos e invernos
Naquele quarto úmido

Experimentei horas a fio
A angústia da solidão
E o furor sombrio
Daquele meio túmido

Fui o mais vivo dos cadáveres
E naquele inverno ardente
Comi o pão do inferno,
Bebi a dor em cálice

Nas ermas e infindáveis noites
Torturei-me em devaneio
Rasguei a carne com açoite
Dilacerei-me quase por inteiro

Estranha alma humana
Atormentada por Ser tão vil
Pela própria essência sucumbe,
Abraça um desespero frio.


II

Salvei
Salvei a mim e a mim
Outonos e outonos
Naquele quarto-sepulcro

Enxerguei a vida na escuridão
E acendi um tímido pavio
Iluminei toda abstenção
E a luz se tornou meu fulcro

Senti-me o mais vivo dos mortais
E daquela gélida penumbra
— já quase uma lápide —
Livrei-me dos pensamentos abissais

As ermas e infindáveis noites
Tornaram-se manhãs nubladas
Ainda desagradáveis, confesso
Porém, forçosamente suportáveis

Estranha alma humana
Que busca forças no âmago febril
Pela própria essência renasce,
Derrota mesmo um Ser hostil.


III

O pensamento é um mergulho ardil
Um nado na escuridão de nós
No covil onde nos encontramos sós

Lá, onde verdadeiramente habitamos
Onde nos tornamos ódio e furor
Lá, o ópio é a dor

Eis que ainda estamos vivos
Então respiremos, respiremos,
Ou em nós nos afogaremos.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Wanda

Wanda era alta, esbelta, seu corpo uma escultura e sua boca carnuda estava sempre pintada de vermelho.  Embora fosse muito jovem, ela continha segredos de uma mulher madura. Divertida, alegre e incrivelmente fogosa exalava sexo pelos poros e contagiava os ambientes por onde passava. Ela era inteligentíssima, de raciocínio rápido e de grande personalidade. De família rica, mas ignorando os valores familiares, ela trabalhava de dançarina na boate Lua Doce.
Carlos, igualmente jovem, forte, inteligente, frequentador assíduo da boate onde Wanda trabalhava, era totalmente apaixonado por ela. Também de família nobre, sua paixão por Wanda fazia com que abdicasse das rodas da alta sociedade para vê-la dançar todas as noites.
Wanda dançava como ninguém. Ela era única. A plateia ignorava todas as outras dançarinas esperando ansiosamente pelo seu show. Não menos ansioso, Carlos olhava o relógio muitas vezes na esperança de que o tempo passasse mais depressa para ver sua musa.
Ela tinha apenas duas paixões: a dança e o sexo. Alimentava estas paixões exibindo seu corpo exuberante e entregando-se ao homem que escolhia nas noites de espetáculo. Foram muitos, mas ao contrário das prostitutas, Wanda não fazia por dinheiro, e sim, por prazer.  Ela os encantava, os dominava, os trazia debaixo de seu salto. Eles pareciam gostar daquele domínio irresistível, que lhes dava sexo, mas nunca amor.
Ela tinha um padrão. Escolhia os homens pelo olhar. Aquele que tivesse o olhar mais faminto, o que fazia com que ela se sentisse mais desejada, era o requisitado, mas nunca repetia os escolhidos.
Wanda não queria dinheiro, e sim ser a melhor entre as melhores.
Carlos ficava na esperança de ser o escolhido, mas algo nele a desagradava. Ele não tinha aquele olhar faminto dos outros homens e sim um brilho diferente que a repelia ao mesmo tempo em que a atraía.
Como a atração foi mais forte, um dia ela o escolheu, e para ele se entregou naquela noite. O receio que ela tinha se concretizou. Viu que aquela vez foi diferente, pois mesmo sempre sendo ela a dominadora, se sentiu dominada, mas não por ele, que estava totalmente entregue à paixão, e sim por ela mesma. Foi um sentimento jamais percebido e entendeu que este poderia ser um problema. Wanda não queria se apaixonar, não queria compromisso, e sim continuar vivendo ardentemente cada dia. Entretanto, o desejo de ver Carlos novamente era constante.
Wanda não dançava mais como antes, a plateia já não lhe era mais fiel, mas Carlos estava sempre ali a cercando. Ele enviava-lhe flores, doces, convites para sair.  Apesar de rejeitar, ela não parava de pensar nele e não conseguia mais se entregar ao prazer com outros homens, embora tentasse. Foi então que a “Lenda Wanda” da Lua Doce perdeu o encanto e com isto acabou o seu feitiço sobre os homens .
O público já não queria saber dela e o proprietário a mandou embora. Ela caiu em depressão. Não precisava de dinheiro, e sim de continuar sendo a melhor no que amava fazer.
Com o sumiço de Wanda, não tão menos desesperado ficou Carlos que procurou sua amada em todas as boates.
O tempo passou, Carlos se conformou, mas não a esqueceu. Wanda continuava viva em sua memória.
Algum tempo depois, Carlos em um show do cruzeiro que estava fazendo, se surpreendeu. Uma banda tocando salsa tinha uma dançarina que lhe chamou a atenção. Suas pernas, a boca, o cabelo, a pele e o corpo muito lembravam sua amada. Não poderia ter duas mulheres assim no mundo, não para ele. Só podia ser ela. Então ele se aproximou para ver de perto e constatou. Era ela! Não dançava mais como na Lua Doce. Evidentemente que a música, a dança e o ambiente não eram os mesmos, mas ela não tinha o mesmo brilho embora a plateia adorasse. Ali, somente Carlos sabia como era antes. Porém, ela continuava bela. Carlos com a palpitação mais forte se aproximou do palco e ela o viu.
Trocaram sorrisos. O brilho dela voltou e ela deu um show ainda maior.
Naquela noite entregou-se a Carlos novamente, mas desta vez sabia que não seria a última. Após o reencontro, Wanda só dançou para Carlos e hoje somente ele lembra daquela mulher admirável e cheia de encantos, que fascinava a todos com sua exuberância, autonomia e liberdade.
Wanda perdeu-se no tempo, deixou-se levar pelo cotidiano de uma mulher comum descendo do seu pedestal de Deusa suprema, mas viveu feliz ao lado de seu único amor.